O mercado está se mexendo
Segundo a ABI Research, citada pela Siemens, o mercado global de MES deve ir de cerca de US$ 22 bilhões em 2026 para US$ 43 bilhões em 2036, quase dobrando (ABI Research, Colin McMahon, 08/09/2026). A página pública de dados da própria ABI traz uma série parecida, de US$ 20,7 bilhões em 2025 para US$ 40,3 bilhões em 2035, com crescimento anual composto de 6,9%, e projeta que a América Latina supere US$ 1 bilhão em MES até 2030. As séries diferem no ano-base, mas contam a mesma história: o investimento em execução de manufatura está subindo, inclusive na região.
Crescimento de mercado, porém, não diz onde o dinheiro rende. Para isso, vale olhar o que o texto da Siemens identifica como mudança de papel.
De sistema de registro a base de dados
O artigo, assinado por Alessandro Cereseto no blog Opcenter, descreve o MES como mais do que um sistema de registro do chão de fábrica: o "sistema nervoso central" da empresa. A tese tem três pilares.
Contexto na coleta. O dado deve nascer com contexto (ordem, equipamento, lote, operador), e não ser ligado depois, em planilha ou relatório. A ligação posterior é o que atrasa decisão.
Integração IT/OT por API. Plataformas monolíticas de digitação manual dão lugar a soluções modulares, conectadas à máquina.
IA depende da arquitetura de dados. O texto é direto: a IA é tão boa quanto a base sobre a qual roda. Daí a proposta de um caminho do reativo ao autônomo apoiado em um "data fabric".
Sobre a IA, a Siemens apresenta a família Opcenter Copilot: o Modeling Copilot, que altera fluxos, códigos de refugo e itens de lista de materiais por diálogo; o AI Repair Advisor, para eletrônicos; e o Configurator Copilot, construído sobre o GitHub Copilot. O Production Copilot liga o Opcenter MES ao equipamento e permite consultas em linguagem natural sobre as condições de produção. Tobias Lange, vice-presidente sênior de MOM da Siemens DISW, resume: "Opcenter is becoming a truly AI native offering."
O que a fonte afirma, e o que ela não prova
Rigor importa, principalmente em texto de fornecedor. O artigo traz três números sem fonte nem metodologia, que tratamos como alegações da Siemens: pegada de hardware reduzida em até 50%; custos de licenciamento menores em 60% a 85%, com a migração para sistema operacional e banco de dados open-source; e 99,99% de disponibilidade em ambiente conteinerizado sobre Kubernetes. O texto também não cita cliente nem resultado de implantação, e não dá métricas para o Production Copilot.
Isso não invalida a direção. Significa que o ganho de uma planta específica precisa ser medido naquela planta, num piloto com baseline.
O que muda na planta brasileira
Em Opcenter X, a Siemens diz oferecer implantação na nuvem Siemens, na nuvem do cliente ou on-premises. Para quem opera com requisito de dado local, rede de planta restrita ou regulação sanitária, essa flexibilidade pesa mais do que o rótulo "IA". Como disse Lange, "Customers have unique demands about their data".
Na prática, o que separa uma demonstração de copiloto de uma operação com copiloto costuma ser a camada de baixo:
- equipamento falando com o MES por um conector padronizado (a Siemens apresentou em 30/09/2026 o PAC, plataforma de integração de equipamento, sistemas e dados, com apps no Industrial Edge Marketplace);
- ordem, qualidade e ERP usando o mesmo vocabulário de lote e de ordem;
- resultado de análise de laboratório amarrado ao lote desde a origem, e não conciliado depois;
- governança de quem pode alterar o quê, com trilha de auditoria.
Sem isso, um assistente em linguagem natural responde bem a perguntas sobre dados que não são confiáveis.
Como a TDi operacionaliza
A TDi é integradora Siemens Xcelerator no grupo PLMX e atua do chão de fábrica (N0) ao nível de negócio (N5) da ISA-95. A nossa abordagem para essa pauta segue três passos.
- Diagnóstico de dados. Mapear de onde sai e para onde vai o dado de ordem, equipamento e qualidade, e onde alguém concilia à mão.
- Piloto em uma linha. Implantar o Opcenter com a integração de equipamento e ERP nessa linha, com baseline de tempo de ciclo, retrabalho e tempo de liberação, para provar valor com número da própria planta.
- Escala com governança. Replicar o padrão para as demais linhas e plantas, e só então ligar camadas de IA como o Production Copilot, quando o dado já é confiável.
É o mesmo raciocínio dos projetos em que o gargalo recorrente é produção, qualidade e ERP falarem a mesma língua, como em Unilever Vinhedo e Caramuru. Do piloto à escala, com governança.
Para onde ir a partir daqui
Se a sua planta está avaliando IA, a primeira pergunta não é qual copiloto escolher. É: o dado de ordem, equipamento e qualidade chega ao MES com contexto, ou alguém concilia à mão?
Próximo passo: conheça o Opcenter Execution Discrete ou peça o diagnóstico de maturidade de dados da sua planta.
- Siemens DISW, blog Opcenter: The future of manufacturing: Why innovation in MES is no longer optional, Alessandro Cereseto, 05/10/2026.
- Siemens DISW, blog Opcenter: Introducing PAC for Opcenter Execution Semiconductor, Shirley Segev, 30/09/2026.
- ABI Research: Manufacturing Execution Systems (MES) market value (4Q 2025).
- Cifra de US$ 22 bi (2026) e US$ 43 bi (2036): ABI Research, 08/09/2026, conforme citada no blog Opcenter da Siemens.